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28 de abril  de 2003
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REQUIÃO FALA SOBRE MULTIPLICAÇÃO DE CURSOS UNIVERSITÁRIOS  

O governador Roberto Requião abriu, na última sexta sexta-feira (25), o terceiro dia de debates do XV Encontro dos Conselhos Regionais de Medicina da Região Sul/Sudeste. “Escolas Médicas” foi o tema do evento, realizado na nova sede do Conselho Regional de Medicina (CRM). Durante o debate, Requião priorizou a racionalização das unidades de ensino de terceiro grau no Estado do Paraná.  

“A preocupação do governo do Paraná é basicamente com a anarquia do ensino de terceiro grau, que vem sendo montado em cima de pressões políticas e competições regionais, sem nenhuma coordenação mais séria”, criticou.

Para Requião, a proliferação de unidades de ensino superior prejudicou o ensino paranaense que, em determinado momento, se colocava em contraposição com a estrutura do ensino público brasileiro. “O Paraná tinha 75% dos seus alunos cursando o ensino superior em instituições públicas e, apenas, 25% dos alunos em instituições privadas. Hoje a situação é inversa”, argumentou.  

De acordo com o governador, a virada destes números se deve à falta de planejamento e racionalidade para a criação de cursos universitários. “A intenção do governo é realizar um zoneamento universitário e investimentos pesados para melhorar a qualidade do ensino das universidades públicas do Estado”, adiantou.

Em função de limitações orçamentárias para a realização destes investimentos, o governo terá que estabelecer uma “contenção firme” em relação à multiplicação de escolas e de cursos. Ele comparou a situação com a pressão que o governo sofre para duplicar o contigente das Polícias Civil e Militar. “Hoje, por exemplo, o Paraná tem 20 mil policiais militares, poderia ter 40 mil. Só que os policiais receberiam menos e estariam mais despreparados para o trabalho. A situação das universidades é a mesma”, demonstrou. 

Requião afirmou que espera colher subsídios interessantes dos debates que servirão como orientação para o governo do Paraná. Antes do início do debate, ele conheceu a nova sede do CRM,  em companhia do presidente da entidade, Luiz Sallim Emedo; do Secretário da Sáude, Luis Cláudio Xavier; do Secretário de Assuntos Estratégicos, Nizan Pereira; e do Secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldair Rizzi.

Debate - O secretário de Estado da Saúde, Cláudio Xavier, também participou da mesa redonda "Escolas Médicas". Xavier mostrou a sua preocupação com a abertura de cursos de medicina no Estado. "A gente vê faculdades de medicina sendo abertas levando em consideração o lucro do empresário", disse. "É preciso que sejam levados em consideração indicadores sociais que justifiquem uma nova escola".

Segundo Xavier, a abertura de novas escolas se justifica em regiões deprimidas, com carência de recursos e de profissionais. “Assim como existe um controle social para o atendimento do Sistema Único de Saúde, deve haver também com a criação das faculdades de medicina, só nas regiões necessitadas”. Um documento com a posição do CRM-PR sobre o assunto será enviado ao governador Roberto Requião.

 

Hospitais Universitários – Um dos temas polêmicos debatidos durante o Encontro foi a situação que enfrentam os hospitais universitários em todo o país. O governador recebeu do vice-presidente da Associação Médica Brasileira, Ronaldo da Rocha Loures Bueno, um documento que detalha os 17 cursos de medicina mantidos pelos tesouros estaduais. Existem cursos em nove estados. São Paulo responde por seis, o Paraná por quatro e os demais por um curso cada.

 

O documento compara o porte da infra-estrutura das universidades paulistas com as do Paraná, citando a criação dos cursos de medicina sem a devida comprovação de sua necessidade social. “Já se constata que não faltam médicos no país e sim uma política de estímulo à interiorização destes profissionais”, conclui Bueno.  

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HOSPITAIS UNIVERSITÁRIOS TERÃO

RECURSOS DO GOVERNO DO ESTADO 

Dois importantes hospitais universitários públicos, de Londrina e de Cascavel, deverão receber recursos do orçamento do Estado para  atender a população dessas regiões. Com os recursos, o Hospital Universitário Regional do Norte, ligado à Universidade Estadual de Londrina (UEL), deverá colocar em funcionamento os serviços do Hemocentro e do Setor de Hemodinâmica. Já o Hospital Regional de Cascavel, ligado à Universidade Estadual do Oeste (UNIOESTE) poderá colocar em operação a unidade da UTI Neonatal bem como  ampliar o seu Pronto Socorro. 

A decisão foi tomada depois de visitas aos dois hospitais universitários feitas por uma equipe de técnicos da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI) e da Secretaria de Saúde. "Os  recursos já estão sendo viabilizados", afirmou o diretor geral da Secretaria da Ciência e Tecnologia, José  Moraes Neto.  

Na próxima semana, informou, a equipe estará visitando o Hospital Universitário Regional de Maringá, vinculado à Universidade Estadual de Maringá  (UEM), para analisar a possibilidade de repasse de recursos para a ala nova do  hospital, que conta com 2.700 metros quadrados e já está pronta.  

Programa 

Os hospitais universitários públicos integrarão um programa de regionalização mais amplo, que inclui os hospitais da rede SUS – Sistema Único de Saúde e os filantrópicos. O programa está sendo implantado pela Secretaria da Saúde. "Essa é uma notícia que recebo com grande satisfação", disse o diretor do Hospital Regional do Norte do Paraná, Francisco Eugênio Alves de Souza. 

O secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldair Rizzi, que participou do XV Encontro dos Conselhos Regionais de Medicina da Região Sul/Sudeste, informou que vem dialogando com as universidades e recolhendo sugestões para contornar a situação dos hospitais-escola. "É preciso somar esforços porque há escassez de recursos", afirmou. 

No Paraná, os hospitais universitários públicos, que funcionam com recursos do governo do Estado são os de Londrina, de Maringá e de Cascavel.  O primeiro atende cerca de 100 municípios da região, além de outros de São Paulo e Santa Catarina. Como possui praticamente todas as especialidades médicas, inclusive as de alta complexidade, o hospital é considerado o terceiro do país. Inaugurado em 1988, o hospital de Maringá, o único da região, atende aproximadamente 30 municípios, enquanto o Cascavel, em média, segundo o diretor do hospital,  Lourival Alves, perto de 1 milhão de pessoas por ano.

Conforme o Conselho Regional de Medicina do Paraná, "mais de 50% dos recursos das universidades, que mantém cursos de medicina, acabam sendo  consumidos na manutenção dos hospitais de ensino, e, mesmo assim, têm se  revelado insuficientes para fazer frente às suas necessidades operacionais  básicas".