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REQUIÃO
FALA SOBRE MULTIPLICAÇÃO DE CURSOS UNIVERSITÁRIOS
O
governador Roberto Requião abriu, na última sexta sexta-feira (25), o
terceiro dia de debates do XV Encontro dos Conselhos Regionais de Medicina
da Região Sul/Sudeste. “Escolas Médicas” foi o tema do evento,
realizado na nova sede do Conselho Regional de Medicina (CRM). Durante o
debate, Requião priorizou a racionalização das unidades de ensino de
terceiro grau no Estado do Paraná.
“A
preocupação do governo do Paraná é basicamente com a anarquia do ensino
de terceiro grau, que vem sendo montado em cima de pressões políticas e
competições regionais, sem nenhuma coordenação mais séria”, criticou.
Para
Requião, a proliferação de unidades de ensino superior prejudicou o
ensino paranaense que, em determinado momento, se colocava em contraposição
com a estrutura do ensino público brasileiro. “O Paraná tinha 75% dos
seus alunos cursando o ensino superior em instituições públicas e,
apenas, 25% dos alunos em instituições privadas. Hoje a situação é
inversa”, argumentou.
De
acordo com o governador, a virada destes números se deve à falta de
planejamento e racionalidade para a criação de cursos universitários.
“A intenção do governo é realizar um zoneamento universitário e
investimentos pesados para melhorar a qualidade do ensino das universidades
públicas do Estado”, adiantou.
Em
função de limitações orçamentárias para a realização destes
investimentos, o governo terá que estabelecer uma “contenção firme”
em relação à multiplicação de escolas e de cursos. Ele comparou a situação
com a pressão que o governo sofre para duplicar o contigente das Polícias
Civil e Militar. “Hoje, por exemplo, o Paraná tem 20 mil policiais
militares, poderia ter 40 mil. Só que os policiais receberiam menos e
estariam mais despreparados para o trabalho. A situação das universidades
é a mesma”, demonstrou.
Requião
afirmou que espera colher subsídios interessantes dos debates que servirão
como orientação para o governo do Paraná. Antes do início do debate, ele
conheceu a nova sede do CRM, em
companhia do presidente da entidade, Luiz Sallim Emedo; do Secretário da Sáude,
Luis Cláudio Xavier; do Secretário de Assuntos Estratégicos, Nizan
Pereira; e do Secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldair
Rizzi.
Debate
- O secretário de Estado da Saúde, Cláudio Xavier, também participou da
mesa redonda "Escolas Médicas". Xavier mostrou a sua
preocupação com a abertura de cursos de medicina no Estado. "A gente
vê faculdades de medicina sendo abertas levando em consideração o lucro
do empresário", disse. "É preciso que sejam levados em
consideração indicadores sociais que justifiquem uma nova escola".
Segundo
Xavier, a abertura de novas escolas se justifica em regiões deprimidas, com
carência de recursos e de profissionais. “Assim como existe um controle
social para o atendimento do Sistema Único de Saúde, deve haver também
com a criação das faculdades de medicina, só nas regiões
necessitadas”. Um documento com a posição do CRM-PR sobre o assunto será
enviado ao governador Roberto Requião.
Hospitais
Universitários – Um dos temas polêmicos debatidos durante o Encontro foi
a situação que enfrentam os hospitais universitários em todo o país. O
governador recebeu do vice-presidente da Associação Médica Brasileira,
Ronaldo da Rocha Loures Bueno, um documento que detalha os 17 cursos de
medicina mantidos pelos tesouros estaduais. Existem cursos em nove estados.
São Paulo responde por seis, o Paraná por quatro e os demais por um curso
cada.
O
documento compara o porte da infra-estrutura das universidades paulistas com
as do Paraná, citando a criação dos cursos de medicina sem a devida
comprovação de sua necessidade social. “Já se constata que não faltam
médicos no país e sim uma política de estímulo à interiorização
destes profissionais”, conclui Bueno.
BOX
HOSPITAIS
UNIVERSITÁRIOS TERÃO
RECURSOS
DO GOVERNO DO ESTADO
Dois
importantes hospitais universitários públicos, de Londrina e de Cascavel,
deverão receber recursos do orçamento do Estado para atender a população dessas regiões. Com os recursos, o
Hospital Universitário Regional do Norte, ligado à Universidade Estadual
de Londrina (UEL), deverá colocar em funcionamento os serviços do
Hemocentro e do Setor de Hemodinâmica. Já o Hospital Regional de Cascavel,
ligado à Universidade Estadual do Oeste (UNIOESTE) poderá colocar em operação
a unidade da UTI Neonatal bem como ampliar
o seu Pronto Socorro.
A
decisão foi tomada depois de visitas aos dois hospitais universitários
feitas por uma equipe de técnicos da Secretaria de Ciência, Tecnologia e
Ensino Superior (SETI) e da Secretaria de Saúde. "Os
recursos já estão sendo viabilizados", afirmou o diretor geral
da Secretaria da Ciência e Tecnologia, José
Moraes Neto.
Na
próxima semana, informou, a equipe estará visitando o Hospital Universitário
Regional de Maringá, vinculado à Universidade Estadual de Maringá
(UEM), para analisar a possibilidade de repasse de recursos para a
ala nova do hospital, que conta
com 2.700 metros quadrados e já está pronta.
Programa
Os
hospitais universitários públicos integrarão um programa de regionalização
mais amplo, que inclui os hospitais da rede SUS – Sistema Único de Saúde
e os filantrópicos. O programa está sendo implantado pela Secretaria da Saúde.
"Essa é uma notícia que recebo com grande satisfação", disse o
diretor do Hospital Regional do Norte do Paraná, Francisco Eugênio Alves
de Souza.
O
secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldair Rizzi, que
participou do XV
Encontro dos Conselhos Regionais de Medicina da Região Sul/Sudeste, informou
que vem dialogando com as universidades e recolhendo sugestões para
contornar a situação dos hospitais-escola. "É preciso somar esforços
porque há escassez de recursos", afirmou.
No Paraná,
os hospitais universitários públicos, que funcionam com recursos do
governo do Estado são os de Londrina, de Maringá e de Cascavel.
O primeiro atende cerca de 100 municípios da região, além de
outros de São Paulo e Santa Catarina. Como possui praticamente todas as
especialidades médicas, inclusive as de alta complexidade, o hospital é
considerado o terceiro do país. Inaugurado em 1988, o hospital de Maringá,
o único da região, atende aproximadamente 30 municípios, enquanto o
Cascavel, em média, segundo o diretor do hospital,
Lourival Alves, perto de 1 milhão de pessoas por ano.
Conforme
o Conselho Regional de Medicina do Paraná, "mais de 50% dos recursos
das universidades, que mantém cursos de medicina, acabam sendo
consumidos na manutenção dos hospitais de ensino, e, mesmo assim, têm
se revelado insuficientes para
fazer frente às suas necessidades operacionais
básicas".
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