Requião
anuncia reajuste de até 32% aos professores do ensino
superior
25/07/2005
O governador Roberto Requião anunciou nesta segunda-feira
(25), durante encontro com reitores e diretores de universidades
e faculdades estaduais no Palácio Iguaçu, que
vai encaminhar à Assembléia Legislativa um projeto
de lei que regulariza tabelas de vencimento e base de cálculos
de gratificações dos professores do ensino superior.
O projeto institui reajustes salariais de até 32,64%.
Em média, o aumento será de 18,68%.
Além do projeto, Requião adiantou que assina
amanhã (26), na reunião semanal do secretariado,
decreto que regulariza a vida funcional de 10.562 servidores,
também das instituições de ensino superior,
entre docentes e funcionários técnico-administrativos.
E ressaltou que o governo continua trabalhando na elaboração
de um plano de cargos e salários para o pessoal técnico-administrativo.
“Estamos regularizando a situação dos
docentes, acabando com diferenças salariais entre aqueles
que estão no mesmo enquadramento, e promovendo um reajuste
para os que estavam ganhando menos. Isso vai permitir que
quando o governo der aumento linear [nos vencimentos], esse
aumento seja igual para todos. Do jeito que está, um
aumento linear só faz crescer as diferenças”,
explicou Roberto Requião aos reitores e diretores.
Projeto – O projeto que regulariza a remuneração
dos professores contempla 7.804 docentes, de 16 instituições
(cinco universidades e 11 faculdades). É fruto de um
trabalho de uma equipe que há mais de um mês
vem se reunindo para por fim às distorções
históricas que existem nos vencimentos, gratificações
e outros benefícios pagos aos professores do ensino
superior estadual.
Em síntese, tabelas de vencimento foram padronizadas,
assim como a forma de cálculos de gratificações.
Até então, cada universidade e faculdade tem
regra própria. Há, por exemplo, professores
que têm as gratificações incorporadas
ao vencimento, o que aumenta a base de cálculo para
a aplicação do adicional por tempo de serviço
ou a de dedicação integral (conhecida como TIDE).
Outros docentes, não.
Isso faz com que um professor de uma instituição,
de mesma classe e desempenhando as mesmas funções
que um professor de outra instituição, possua
uma remuneração bem inferior à do colega.
O projeto acaba com isso. Para alguns cargos e regimes, a
regularização prevê recomposição
nos vencimentos de 32,64% (como é o caso dos chamados
“professores associados”). Ou 21,59% para os docentes
titulares. Entre diversas variações, o reajuste
médio instituído pelo projeto é de 18,68%
(ver tabela no final da matéria).
Encaminhamento - O projeto vai para a Casa Civil, que vai
elaborar o texto a ser enviado à Assembléia
Legislativa. Roberto Requião quer encaminhar a proposta
assim que os deputados estaduais voltarem do recesso parlamentar.
O governador salientou que, embora no momento a folha de pagamento
do Estado (R$ 366 milhões/mês) esteja em 47%
da receita, perto do limite estipulado pela Lei de Responsabilidade
Fiscal (LRF), de 49%, ele deseja dar prosseguimento ao processo.
“Estamos dentro do limite prudencial, ou seja, temos
uma pequena margem de manobra. Vamos dar andamento e acrescentar
no projeto que a lei entrará em vigor assim que houver
folga dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal”, observou
Requião.
Trabalho em equipe – A secretária da Administração
e da Previdência, Maria Marta Lunardon, e o de Ciência,
Tecnologia e Ensino Superior, Aldair Rizzi, destacaram que
a elaboração do projeto é resultado de
uma árdua tarefa, e feita com êxito porque foi
realizada por uma equipe que se empenhou em acabar com um
problema antigo.
“Há 24 anos estou no serviço público.
As universidades e as faculdades estaduais sempre foram um
‘calo’ no pé do governo, tal a quantidade
de problemas. Mas, agora, com a compreensão do governador,
com um trabalho em parceria, coordenado, superando dificuldades,
estamos encaminhando soluções”, disse
Maria Marta.
“Foram discussões transparentes, sinceras, sem
medo de encarar os problemas. O resultado é essa medida
que traz melhorias salariais e corrige distorções”,
completou Aldair Rizzi.
O grupo de trabalho que elaborou o projeto contou com técnicos
das secretarias da Administração e da de Ciência,
Tecnologia e Ensino Supeiror, da Seap, das próprias
universidades e faculdades, reitores, e representantes do
Tribunal de Contas, da Procuradoria Geral do Estado e do Ministério
Público Estadual.
Tabela
Índices de reajustes previstos no projeto
Professor auxiliar: 10,14%
Professor assistente: 14,29%
Professor adjunto: 23,42%
Professor associado: 32,64%
Professor titular: 21,59%
Média de ganhos: 18,68%
Box 1
Decreto regulariza a vida de mais de 10 mil
O decreto que vai ser assinado pelo governador Roberto Requião
nesta terça-feira (26) regulariza a vida funcional
de 10.562 servidores do ensino superior. São pessoas
que trabalhavam ocupando cargos e funções que,
nem todos eles, eram formalizados por ato legal.
Esses funcionários, ao entrar com pedido de aposentadoria,
encontravam problemas, porque, ao exercerem funções
e ocuparem cargos existentes na prática mas não
reconhecidos na teoria, tinham seus processos barrados pelo
Tribunal de Contas. Além disso, sem a formalização,
o Estado ficou sem ciência de quais cargos estavam de
fatos ocupados em número suficiente e qual aqueles
vagos.
Com o decreto, isso acaba. Por mais de um ano, uma comissão
formada por técnicos das secretarias da Administração,
do Ensino Superior, das universidades, da Procuradoria Geral
do Estado e do Tribunal de Contas analisou a vida funcional
de cada servidor, um por um. Baseado nesse estudo é
que foi possível discriminar quais cargos, funções,
classes e níveis precisaram de formalização,
instituída pelo decreto.
“O decreto viabiliza o enquadramento correto dos servidores
e possibilita o Estado abrir concurso para os cargos vagos,
pois agora o governo sabe para que precisa contratar”,
afirmou o governador Roberto Requião, aos reitores
e diretores de universidades e faculdades.
Box 2
Reitores e diretores elogiam ação do governo
Os 16 reitores e diretores de universidades e faculdades que
participaram do almoço com o governador Roberto Requião,
e a secretária da Administração e da
Previdência, Maria Marta Lunardon, o de Ciência,
Tecnologia e Ensino Superior, Aldair Rizzi, e o da Fazenda,
Heron Arzua, demonstraram satisfação com as
ações da atual gestão para reestruturar
o ensino superior paranaense.
Para o diretor da Faculdade de Cornélio Procópio,
Onofre Ribeiro de Almeida, mais que inédito, o canal
aberto por Requião aos professores do ensino superior
é “histórico”. “Há
41 anos estou no Magistério, e sempre houve uma grande
dificuldade de entrosamento entre as instituições
e o governo. Pela primeira vez vejo um governador discutir
os problemas diretamente com os reitores e diretores”,
disse Almeida.
Destaque semelhante faz o professsor Eloy Donon, diretor da
Faculdade de União da Vitória. “Os problemas
são crônicos, e vemos o governador sinalizar
com soluções. É um momento único.
Acredito que vamos resolver”, avaliou Donon.
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