Requião
lança programa para estimular produção
de peixes
06/5/2005
O governador Roberto Requião anunciou nesta quinta-feira
(05), durante o lançamento do primeiro lote de um milhão
de alevinos reproduzidos especificamente para reposição
do estoque pesqueiro dos rios do Paraná, no município
de Bandeirantes – região norte do Estado –
o Programa de Tanques Redes, para o qual estão sendo
liberados cerca de R$ 18 milhões em investimentos para
financiamento e instalação de equipamentos.
O Tanque Rede é uma forma de produção
de alevinos, em recipientes flutuantes formados por telas,
em que os alevinos permanecem para desenvolvimento e engorda
da espécie. Este sistema é utilizado geralmente
em áreas sem correnteza como, por exemplo, rios e represas.
“Nesse primeiro momento o programa não será
voltado para a produção industrial. Será
um investimento sem risco de prejuízo. O Paraná
irá comprar os peixes juvenis dos tanques a partir
de um determinado tamanho não para comercializá-los,
mas para soltá-los novamente nos rios acelerando o
processo de repovoamento dos rios do Paraná”,
explicou o governador.
Segundo Requião os aqüicultores interessados em
desenvolver o programa dentro das suas propriedades já
podem procurar as regionais da Secretaria da Agricultura e
Emater. Para o governador, o repovoamento dos rios deve estar
aliado à garantia da proibição no período
de defeso ou reprodução das espécies.
“Eu já assinei um decreto proibindo a pesca em
todas as áreas de abastecimento de água do Paraná.
Onde se produz a água que nós bebemos, eu não
quero pesca mais”, afirmou Requião. Ele ainda
disse que os abastecedouros das cidades serão preservados
de forma absoluta e a fiscalização será
feita pela Força Verde da PM de forma rigorosa.
O vice-governador e secretário da Agricultura e do
Abastecimento, Orlando Pessuti, que coordena o projeto de
repovoamento dos rios também esteve presente e afirmou
que o objetivo é repovoar os rios do estado com espécies
nativas. As espécies lançadas em Bandeirantes
foram pacu, piapara e curimbatá originais do Rio Paranapanema.
Meta - De acordo com o governador, o programa pretende colocar
apenas este ano cerca de 20 milhões de peixes juvenis
nos rios do Estado. “No próximo ano este número
passa para 50 milhões. Serão quatro peixes por
habitantes devolvidos ao rios do Paraná”, disse
o governador. O governador ainda lembrou que as baías
também estão sendo repovoadas.
A iniciativa é inovadora pela caracterização
molecular dos peixes nativos. Esta tecnologia identifica o
DNA das matrizes, permitindo acompanhar seu desenvolvimento
nos rios. Com isso, cerca de dois anos após a soltura
será possível saber se o peixe faz parte deste
lote e se atingiu o tamanho comercial.
A soltura dos alevinos foi realizada em três rios diferentes
mais situados na mesma bacia hidrográfica. O projeto
de Reposição de Estoque Pesqueiro foi financiado
através do Fundo Paraná, da Secretaria da Ciência,
Tecnologia e Ensino Superior, que investiu em projetos de
pesquisa para a recuperação da fauna aquática
tanto no litoral quanto em águas interiores.
O projeto conta ainda com a participação da
Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Instituto Ambiental
do Paraná, Inbama, Universidades Estaduais de Londrina
e Maringá, Faculdade de Bandeirantes, Emater e Fundação
Terra.
Já o secretário da Ciência Tecnologia
e Ensino Superior, Aldair Rizzi, afirmou que esta ação
é resultado do projeto de governo de interiorizar o
desenvolvimento no Paraná.
Fórum das Águas – Durante o evento, foi
realizado ainda um Circuito Ecológico para alunos de
35 municípios da região. Cerca de 1,2 mil crianças
puderam aprender sobre a importância dos rios para manutenção
da biodiversidade, sobre as conseqüências da ausência
de mata ciliar e reciclagem. Alunos do curso de biologia das
Faculdades Luiz Meneghel/ Unespar foram guias voluntários
dos alunos durante todo o dia.
Para o secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos,
Luiz Eduardo Cheida, as ações do governo para
proteção do meio ambiente estão acontecendo
de forma transverssal o que faz com que os resultados superem
as expectativas.
“Este é um programa que vem sendo desenvolvido
através de uma grande parceria e que, com o reforço
do programa de Mata Ciliar, deverá devolver a vida
nos rios do Estado”, disse Cheida. Segundo ele, a mata
ciliar é essencial para a recuperação
dos rios e reprodução das espécies.
“Estamos fazendo um grande mutirão no Estado
para plantarmos 90 milhões de árvores nas margens
dos rios. O programa já é considerado um dos
mais ousados do mundo”, finalizou o secretário.
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